09/03/2010 - Mulheres que perdem o bebê no início da gestaçÃ


Acontecimento comum na medicina, já que uma em cada quatro gestações é interrompida, a sensação desagradável vivenciada pela mãe geralmente ocorre de forma solitária, já que nem a família, nem amigos, tocam no assunto e médicos, muitas vezes, não tratam o fato com a devida sensibilidade.

 

As perdas antes da 22ª semana de gestação são classificadas como “aborto espontâneo”, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Cerca de 20% a 30% das mulheres grávidas apresentam algum tipo de sangramento ou cólica pelo menos uma vez nesse período de gestação, indicam estudos.

Em aproximadamente 50% dos casos, as causas da interrupção estão ligadas a anomalias cromossômicas, que são responsáveis por malformações.

 

Cerca de 70% destes casos é conseqüência de problemas com a gestante, sendo o restante relacionado a causas desconhecidas. Problemas no colo uterino, que se dilata antes do término da gestação, algumas infecções ocultas como a urinária ou corrimentos vaginais mais graves e não tratados adequadamente, ou alterações imunológicas ou da coagulação sanguínea denominadas trombofilias, têm ligação com estes abortos, chamados de tardios.

 

A necessidade de intervenção médica depende da idade gestacional em que ocorreu o aborto e se há possibilidade de eliminação completa espontânea do material. A partir do momento do diagnóstico da não-evolução da gestação, podemos aguardar até quatro semanas para que haja um sangramento natural ou que o organismo materno inicie a eliminação do produto conceptual. Passado esse prazo, há um aumento dos riscos de alterações de coagulação e infecções e, então, o obstetra precisa intervir.

 

Como principais sintomas, são apontados: cólicas intensas na parte inferior do abdômen, contrações uterinas precoces e sangramento vaginal. O diagnóstico é realizado conforme relato da paciente e com exames como ultrassonografia, onde se pode então perceber a ausência de batimentos cardíacos no embrião. Em perdas gestacionais precoces a parada de subida dos níveis de Beta HCG auxilia o diagnóstico.

 

O aborto involuntário é a perda da esperança, do sonho e da renovação da vida na perspectiva da mãe. Cada caso deve ser estudado, principalmente a estrutura emocional da mulher, sua história de vida e como ela encara os problemas do cotidiano. A maioria das pessoas acha que a dor da perda é proporcional ao tempo vivido com o filho. Quanto mais cedo esta perda, mais o sentimento de culpa aflora junto aos pais, já que acham que falharam ao não conseguirem proteger um ser que ainda não consegue se defender.

 

Por isso, é muito importante que os médicos e hospitais sejam mais sensíveis à situação, para auxiliar, principalmente a mulher, neste delicado momento. Primeiro, como será passada a informação e como ela será assistida psicologicamente. Um dos principais pontos é não colocá-las junto a pacientes que acabaram de dar à luz.

 



Fonte: ADCom Comunicação Empresarial
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